quarta-feira, 22 de agosto de 2007

O escritor de Andrômeda

Entre um plantão e outro na emergência de um pronto-socorro de Belo Horizonte e visitas ocasionais a diversas localidades vizinhas um médico mineiro fez a a pesquisa para um dos mais imaginativos livros de ficção científica lançados no Brasil. Nesta entrevista, o autor de Quintessência conta histórias sobre a produção de sua obra independente, descreve coleções de quadrinhos que ocupam caixas de papelão, kombis e quartos inteiros, dá dicas sobre como interpretar uma cadeira no palco de teatro e detalha como foi a formação de um escritor de FC nascido em Andrômeda, vulgo Minas Gerais. Com vocês, o lado B do doutor Flávio Medeiros Jr.

Seu livro de estréia pegou muita gente de surpresa - mesmo entre os especialistas mais dedicados em acompanhar a produção nacional de FC, no famoso eixo Rio-São Paulo. Poderia fazer uma revisão de outros textos ficcionais seus e contar um pouco dos bastidores da publicação de seu primeiro romance?


Penso que essa "surpresa" se justifica. Costumo dizer, em tom de brincadeira, que vivo em Andrômeda, pois Minas Gerais, no universo da FC nacional, fica tão distante do tal eixo Rio - São Paulo quanto outra galáxia. Na verdade sou um ávido leitor de ficção científica desde adolescente. Comecei com Perry Rhodan, depois Asimov, e daí não parei mais. Tenho toda a coleção da saudosa Isaac Asimov Magazine brasileira. No entanto, só quando já estava escrevendo o Quintessência foi que eu soube que existiam fóruns virtuais para discutir FC. Por isso as pessoas ligadas à FC nacional só souberam de minha existência quase simultaneamente à publicação do meu livro. Antes dele, só publiquei contos, crônicas e cartoons (que eu escrevi e desenhei) em jornais locais e universitários, a maioria tratando de temas cotidianos. Também escrevi algumas peças de teatro, que dirigi e encenei com grupos amadores, uma delas inclusive de ficção científica, chamada Proteu, o Protótipo.

Quanto ao Quintessência, a idéia inicial surgiu da seguinte preocupação, resultado de minha estupefação diante da crescente banalização da violência ao meu redor: até que ponto as pessoas não cometem crimes, dos mais leves aos mais hediondos, obedecendo aos próprios valores morais, e não ao temor de serem pegos e punidos? Então decidi criar o "supervilão do novo milênio", um personagem com poderes praticamente ilimitados para fazer o mal, e que comete seus atos com a certeza absoluta da impunidade. O interessante foi que eu pretendia que esse vilão fosse a encarnação do Mal absoluto, mas ao longo do texto que fui escrevendo o próprio personagem me fez entender que em termos humanos isso não existe: o ser humano que pratica o mal sempre carrega suas razões pessoais para isso, sempre busca ou fabrica justificativas para seus atos. Aprendi muito com ele.

O livro foi publicado no sistema de autopublicação, ou seja, eu mesmo banquei a edição. Ao contrário de alguns, considero esta uma forma perfeitamente válida e digna de publicar um livro, diante das dificuldades que o mercado impõe a novos autores. Esse sistema ainda tem a vantagem de dar ao autor total controle sobre sua obra, desde o conteúdo até a capa. Permite também que o autor negocie melhor o preço de capa do livro e a porcentagem da consignação, que é como a maioria das livrarias trabalha. A enorme desvantagem da autopublicação é o problema da distribuição. Enquanto você está na mídia o seu livro vende bem, mas quando param de falar dele o fantasma do encalhe aparece. Em relação ao Quintessência, após três anos da publicação ainda tenho a alegria de vender exemplares pela internet ou através de pessoas que leram, gostaram e indicam a outras pessoas. É uma venda em "conta-gotas", mas para mim isso não importa: eu vivo de medicina, escrever é o meu prazer pessoal.

A FC é sempre associada a mudanças profundas na tecnologia e no comportamento das pessoas; a dinamismo social, cultural, ambiental. Minas Gerais, por outro lado talvez seja o estado brasileiro mais ligado ao culto às tradições; um lugar em que o tempo parece correr mais lentamente. Algo que pode ser sintetizado na frase célebre do Otto Lara Resende: "Minas está onde sempre esteve". Como é lidar com este aparente paradoxo de ser um autor de ficção científica mineiro? Como seus colegas, amigos e familiares reagem a seu lado menos convencional?

Como você disse, o paradoxo é aparente. Outro dia li em um romance a crítica depreciativa de um dos personagens à ficção científica, nos seguintes termos: a tecnologia evolui, as descobertas se multiplicam, mas o ser humano continua o mesmo. Naquele momento eu me perguntei: "mas não é essa a realidade?" Observe a história da humanidade: como na Antiguidade continuamos nos matando por razões religiosas, ou por ambicionarmos o que os outros possuem. A diferença é que antigamente fazíamos isso usando pedra lascada, depois arco e flecha, e hoje empregamos alta tecnologia, armas de destruição em massa e microrganismos geneticamente alterados. Mas a atitude mudou muito pouco. Nossos tabus, crenças e preconceitos mudam de roupa e adquirem formas de expressão mais rebuscada, mas em essência não mudaram muito nos últimos milênios. Por isso, parafraseando o bom e velho Otto, eu diria que "o Homem está onde sempre esteve". Minha aposta é que isso vai persistir ainda por muito tempo no futuro, de modo que a FC, na minha concepção, precisa considerar essa possibilidade.

Quanto à segunda parte da pergunta, outro dia um colega médico me disse que eu sou um dos caras com o "lado B" mais interessante que ele conhece, entendendo-se como "lado B" aquilo que você faz quando não está tratando das trivialidades da vida, como dar atenção à família ou ganhar dinheiro. Esse lado escritor surpreendeu alguns dos amigos mais recentes, pois devido aos caminhos tortuosos que a vida toma, antes do Quintessência eu havia passado uns cinco ou seis anos sem produzir nada de substancial em termos de literatura. Mas quem me conhece há mais tempo, como os familiares e amigos mais antigos, não se surpreendeu em nada. Na verdade eu escrevo desde sempre, e as pessoas se acostumaram a me ver crescendo assim. No curso primário as professoras liam minhas redações para a classe inteira, e emprestavam para as outras professoras lerem em suas classes. Com uns oito ou nove anos pedi ao meu pai dinheiro para comprar um caderno; o dinheiro deu para dois cadernos, e comecei a escrever neles meus dois primeiros livros: As aventuras de Falangeta e Cidade submarina, ambos inacabados. Com onze ou doze anos eu e um primo escrevemos dois livros que eram fanfiction (embora na época eu acho que a palavra ainda não existia) de Planeta dos macacos e dos Smurfs, que então se chamavam Strunfs. Esses dois livros tenho em casa, foram datilografados em uma velha Remington que ganhei de minha mãe naquela época, e encadernados em uma gráfica do bairro. Infelizmente, são livros de um só exemplar. Ou seja, tirando aqueles cinco ou seis anos de hiato, sempre fui metido a escritor, e suspeito que agora não vou parar nunca mais.

Quadrinhos americanos, ingleses e italianos são uma referência mais que explícita em seu trabalho. Em certos momentos, obras como Sandman, Punisher e Dylan Dog são elementos importantes para se compreender a motivação e o universo particular de alguns dos personagens. Qual o papel dessa mídia na sua formação como escritor? Qual o tamanho de sua coleção de gibis e quão eclética ela é?

Entendo que, antes de ser escritor, você necessariamente tem que ser um leitor convicto. E eu aprendi a ler com as histórias em quadrinhos. Os adultos compravam os gibis, primeiro de Walt Disney, depois também de Mauricio de Souza, e liam para mim. Eu ficava do lado acompanhando a história e perguntava, de vez em quando, o nome de alguma letra. Um belo dia, e me lembro da cena como se houvesse sido ontem, já sabendo o nome das letrinhas, uma luz se acendeu na minha mente, e compreendi que bastava juntar o som de cada letra para ler uma palavra. Nesse dia eu li pela primeira vez, antes que a escola me ensinasse, para alvoroço dos adultos ao redor. E desde então não parei mais. Ainda criança, um dos melhores amigos do meu avô era dono de uma banca de revistas, onde ocasionalmente eu passava o dia inteiro lendo de tudo. Na adolescência me especializei nos quadrinhos de super-heróis, e nos últimos trinta anos tenho colecionado e lido tudo que foi publicado no Brasil em termos de Marvel e DC, além de brasileiros como Ziraldo (A Turma do Pererê), Laerte e Angeli. Também sou fã de Uderzo e Goscinny (Asterix), e de cartunistas, como o argentino Quino (Mafalda) e Bill Watterson (Calvin e Haroldo). Atualmente ainda leio de tudo isso, mas me dão mais prazer os chamados "quadrinhos adultos", de autores como Neil Gaiman, Alan Moore, Frank Miller, Garth Ennis, Mark Millar e Warren Ellis.

Eu não saberia te dizer o tamanho da minha coleção, mas apenas para dar uma idéia, no ano passado eu vendi parte dela para uma feira de gibis usados, promovida por uma livraria de Belo Horizonte. Um funcionário teve que vir até minha casa para separar o material, depois veio uma kombi com mais dois caras para buscar doze caixas de papelão grandes cheias de revistas. Isso me rendeu um crédito de quase oitocentos reais na livraria, e hoje o quartinho de despejo do meu apartamento ainda está cheio mais da metade com grandes caixas repletas de revistas. Aproveito a oportunidade para agradecer publicamente à minha esposa pela compreensão e pela paciência e tolerância infinitas.

Você já deve ter pensado na possibilidade de continuação para Quintessência, não? Uma adaptação do livro para HQ ou mesmo uma sequência em tal formato já estiveram em seus planos?

Na verdade, a princípio eu pretendia acabar a história ali mesmo, apesar de que o final do livro gerou reações bem diversas: alguns adoraram, outros quiseram me matar e exigiram uma continuação. Eu respondi, na época, que só escreveria uma continuação se tivesse uma idéia que realmente valesse a pena. Acontece que no último ano eu tive e já andei amadurecendo essa idéia, daí que a continuação do Quintessência deverá ser meu próximo romance. Quanto a adaptações, não penso que os quadrinhos sejam o melhor formato. Observe que o livro é contado em primeira pessoa, e tem que ser assim mesmo, para que o leitor vá fazendo as descobertas, e tendo as surpresas e sustos junto com o protagonista. Ou seja, a história é contada dentro da mente do personagem, que atua como narrador. Os quadrinhos são uma linguagem muito mais visual e dinâmica do que narrativa e reflexiva, então uma adaptação de Quintessência ia ser cheia daqueles balões cheios de falas e recordatórios intermináveis, e não gosto de HQs assim. Se você precisa falar mais do que mostrar, melhor contar a história em texto. Por outro lado, já foi iniciada uma adaptação do livro para roteiro de cinema, que a meu ver está no meio termo entre a literatura e as HQs em termos de estética narrativa. Essa adaptação está meio parada depois que a pessoa responsável começou a fazer mestrado, mas é uma adaptação que considero muito mais interessante.

Além de comics e fumetti, quais as obras e autores que influenciaram seu thriller policial-científico? Entre os escritores, há algum brasileiro na lista, como Ignácio de Loyola Brandão de Não verás país nenhum? Pergunto isso porque há alguns pontos de semelhança entre seu livro e o daquele autor, como a questão ambiental em São Paulo e a unificação de forças de segurança, sua Polícia de Elite e os civiltares de Brandão.

Confesso que não conheço a obra de Brandão, embora meu interesse por ela tenha surgido recentemente, após ler nos fóruns de discussão a opinião de outros leitores e escritores de ficção científica a respeito dela. Mas antes de começar a escrever Quintessência eu senti que precisava ler algo em termos de literatura policial de autores nacionais, então li BR 163, de Tony Bellotto, e Enquanto Seu Lobo não vem, de Aluísio Santiago Campos Jr. Meu estilo nada tem a ver com nenhum dos dois, mas após ler essas obras me senti mais tranqüilo sobre escrever um romance policial com uma ambientação e personagens brasileiros. Quanto a autores internacionais, achei divertido quando alguns leitores compararam meu estilo ao do Dan Brown, e quando li O código da Vinci entendi o motivo: ele usa alguns truquezinhos como eu também usei, de terminar cada trecho de ação num momento de suspense, como nos episódios dos antigos seriados policiais, de maneira a fazer o leitor não querer largar o livro, para saber o que virá a seguir.

Quanto a minhas preferências, em termos de estilo admiro autores como Neil Gaiman (Deuses americanos, Os filhos de Anansi) e Stephen King. Deste último destaco as obras O iluminado, na qual ele retrata de forma magistral a crise no relacionamento de um casal sob o ponto de vista de uma criança pequena, e Salem’s Lot, quando na cena do sepultamento de uma criança morta ele mistura as falas do padre, que realiza sua função de maneira protocolar e impessoal, com as do pai do garoto morto, tomado por um desespero que beira a insanidade. Recentemente também me tornei fã de Philip Roth e seu Complô contra a América, para mim um dos melhores livros de todos os tempos. Esses são os caras que eu quero ser quando crescer.

Há toda uma reflexão que os leitores testemunham no fluxo de consciência de Tom Rizzatti sobre questões de fundo moral: o bem, o mal, o livre arbítrio, a essência mais profunda e definidora disso tudo. Refletir sobre pontos como esses fizeram com que você repensasse pontos de vista? Foi possível chegar a alguma conclusão no final da jornada de 230 páginas?

Talvez essas reflexões sejam a essência do livro, ou a principal razão de sua existência. Na verdade esses questionamentos são os que ficam ali, como a pulga atrás da orelha da humanidade, há muitos séculos. E são importantes, uma vez que se referem nada menos que à própria existência. Muitos buscam as respostas na religião, e se contentam com isso. Outros preferem não pensar a respeito, embora curiosamente essas questões sempre retornem, marcadamente naquelas situações de profunda comoção humana, como mortes e doenças na família, por exemplo. Outros, mais inquietos, continuam buscando. A própria ciência começa a se enveredar nesse caminho, o que não deixa de ser uma ousadia: tratar cientificamente de questões metafísicas. As melhores e mais satisfatórias respostas que encontrei até agora estão na Logosofia, ciência que aborda essas questões e muitas outras partindo do conhecimento de si mesmo. O mais interessante é que, quanto mais respostas, ou partes delas, você encontra, mais questões surgem. Mas é um estudo muito gostoso de fazer, a partir do momento que você começa a não se frustrar sempre, como se atingisse uma barreira intransponível. E, assim como a vida, não tem fim.

Sua formação como médico e a experiência de ex-professor universitário certamente foram úteis para lidar com o lado científico do livro. Mas e os demais elementos da trama? Como foi a pesquisa a respeito dos vários locais reais descritos em detalhes ao longo das páginas, sem falar no básico em termos de técnicas investigativas para a porção policial da obra?

Quanto aos locais de Belo Horizonte, minha cidade, foi mais fácil. Fui até o BH Shopping e fiquei de pé exatamente no topo das escadas rolantes, onde ocorre o atentado da abertura do livro. Ali desenhei mentalmente toda a cena. Depois "invadi" a galeria técnica do shopping onde o terrorista vai se refugiar, e imaginei toda a cena da explosão. Para a cena do congresso de neurologia no Minascentro, onde o orador metralha a audiência, aproveitei minha presença lá em um congresso e subi ao palco, para ter a visão exata do agressor. Passei pelo Viaduto Oeste várias vezes para memorizar detalhes e escrever a cena em que Tom Rizzatti escapa de seus perseguidores subindo o viaduto pela contra-mão. Cenas como as de Lavras Novas e sua cachoeira, e também Visconde de Mauá, também não foram difíceis, pois conheço bem as duas localidades. Fiz mais de um passeio ao lado oposto da Serra do Curral, caminho para Macacos, onde no meu livro vai ser construído o Memorial Leôncio Lamas, para verificar a viabilidade de minhas "teorias".

Para a cena ambientada em Paris, no final do livro, entrevistei brevemente uma amiga que morou lá: "você está de pé sobre a Pont Neuf; olha para um lado, e o que vê? E do lado oposto?" Com um mapa da cidade obtido na internet e uma foto da ponte, foi como se eu tivesse mesmo estado lá. Coisas "futuristas" como o domo sobre a região da Savassi e uma rede de autovias passando pelos subterrâneos da Praça da Liberdade, são projetos que talvez jamais se tornem realidade, mas que existem, de verdade: alguma imaginação insana pensou nisso antes de mim. Quanto à parte policial, aproveitei que trabalho em um pronto-socorro para onde convergem todos os casos de violência urbana de BH, e sempre que chegava uma turma de policiais trazendo alguma vítima ou bandido, eu "colava" nos caras e começava a fazer perguntas. Olha, ouvi coisas que você não acreditaria, nem se eu escrevesse em um livro de ficção.

Passado algum tempo de sua estréia no ramo da literatura de gênero já deve ser possível fazer um retrospecto. Entre perdas, ganhos e empates qual é o saldo destes primeiros três anos?

O saldo é totalmente positivo, já que correspondeu exatamente às minhas expectativas. Escrever para mim é um prazer, não um meio de vida. Quando você escreve por gosto, sem pressões, a chance de ter um bom resultado é melhor. Minha maior alegria é o retorno, geralmente positivo, de quem leu e gostou. Já tive comentários curiosíssimos de leitores de todas as idades, que para mim servem de sinal de que, apesar do trabalho que dá e do tempo que consome o ato de escrever, a recompensa é sempre superior. Não pretendo parar tão cedo.

Em uma perspectiva mais geral: em sua opinião, o que está faltando para a literatura de entretenimento ganhar mais espaço entre os brasileiros? Quando falamos de ficção científica nacional, especificamente, há algo que se possa fazer para popularizar o gênero e atrair novos leitores e escritores?

Um de meus leitores fez um dos comentários mais significativos, após acabar a leitura do Quintessência: "gostei muito do seu livro, apesar de ser ficção científica". Observo que a maioria das pessoas que afirmam não gostar de ficção científica nunca leu um livro do gênero, e baseia sua opinião na mídia do cinema ou da TV. Então minha proposta é: vamos escrever boas histórias! Coisas com conteúdo, mesmo que não seja nada filosófico, mas um texto inteligente e bem escrito. Ser FC, ou horror, ou policial, ou fantasia, é secundário desde que a história seja boa. De preferência com idéias originais, próprias. Se minha história de FC não passar da descrição de uma perseguição espacial, se meu texto de fantasia não for mais que a descrição da luta entre um príncipe e um dragão, talvez a mídia certa seja mesmo a TV ou o cinema.

A pista que dou, porque é a que tento seguir, é: boas histórias têm que ter um conteúdo humano. Uma vez perguntaram a Stanislawski, um dos gênios do teatro, se ele seria capaz de representar uma cadeira no palco. A resposta dele foi: "Se essa cadeira tiver o sonho de virar uma poltrona, ou se tiver o medo de morrer em um incêndio, eu represento. Se não tiver nada disso, você não precisa de um ator: use uma cadeira". Penso que na literatura seja a mesma coisa. Tenho lido muita coisa boa de gente nova na literatura de gênero, e se tivermos mais oportunidades de mostrar esses trabalhos para mais pessoas, através da divulgação e da melhoria do acesso das pessoas à literatura, esse panorama vai mudar. E esse trabalho tem que começar junto à juventude, que tenho encontrado sem muitas motivações e incentivos que transcendam a superficialidade.

"O futuro é uma página em branco dentro de um quarto escuro em uma noite de neblina". Foi assim que, à altura da página 90 de Quintessência, você definiu o porvir. Mesmo com toda a nebulosidade e escuridão para atrapalhar a vista, o que o futuro lhe reserva como escritor?

Idéias é o que não me falta. Estou com um novo romance pronto para publicação, chamado Casas de vampiro. Enquanto Quintessência é uma mescla dos gêneros ficção científica e policial, no novo livro misturo FC e horror. Tenho também pronta uma coletânea de contos leves, de humor e temas cotidianos, chamada Leia e fique rico. Acabo de terminar um conto de FC inspirado por uma música da cantora Tanita Tikaram, que deverá sair publicado em uma antologia de vários autores de ficção científica, horror e fantasia. Além disso estou fazendo as pesquisas para um conto no universo da Intempol, e para o romance que será a continuação do Quintessência. E já tenho algum material guardado para o romance que virá logo depois dele, uma ficção científica mais "pura", sem muita mistura de gêneros, para variar. Ah, nos horários vagos eu cuido do "lado A": trabalho, família e saúde.

Um comentário:

alemao disse...

Muitas indivíduos, como eu, foram e são leitores da maior série de ficção científica espacial do mundo, Perry Rhodan.
Os fãs da série se reunem trocando informações e debatendo projetos em prol da série na comunidade ORKUT: PERRY RHODAN BRASIL
Participe também.
Até lá...